Hanna
westergaard
And somehow, after everything she still bloomed in the way she was meant to.

wilting
Wilt
verb [ I ]
UK /wɪlt/ US /wɪlt/
(of a plant) to become weak and begin to bend towards the ground, or (of a person) to become weaker, tired, or less confident:
Hans teve apenas uma certeza quando recebeu a carta de Anna o chamando até Arendelle, de uma forma ou outra seu plano havia dado certo e o caminho até a coroa estava cada vez mais próximo.
Apesar da primavera mal ter começado e o clima ser marcado por frio intenso, a noite parecia estranhamente agradável. Nem fria demais e nem quente demais, um clima curioso, mas não iria reclamar, já estava tarde e quanto menos frio, melhor para ele que nem sabia onde iria encontrar com a ruiva.
O jovem príncipe das Ilhas do Sul nunca pensou que conseguiria retornar, conseguir a mão dela através da consumação do relacionamento não daria certo após ser acusado de crimes contra a coroa, então precisou esperar, dia a após dia para a sorte estar ao seu lado e ter sua chance até o trono. E ele realmente soube que a sorte estava quando observou a mulher se aproximar com um embrulho nos braços.
Hans Westergaard havia conseguido um herdeiro de sangue real, ligado a duas coroas e sua chance para o futuro que sempre sonhou.
Não podia negar que usar uma criança para chegar a isso fazia seu estômago embrulhar, até ele tinha limites, mesmo que tivesse quebrado a maioria deles ao seguir as ordens do pai e fazendo cada trabalho sujo que um rei não poderia fazer, mesmo que tivesse os quebrado ao deixar Anna naquele quarto.Ah Anna, a doce e ingênua Anna. Ela era uma jóia rara, não podia negar e tinha algo que tornava fácil se aproximar e por um segundo, um mísero segundo perdido nos gentis olhos azuis da menina, perdido na vivacidade da menina, quase desistiu de tudo e abandonou a ambição pelo trono para estar ao lado dela, mas não fez.
Poder e amor dificilmente eram conquistados juntos e ele fez sua escolha muitos antes de conhecer a garota..
– Está atrasada! – Falou em um tom irônico quando a mulher já estava próxima o bastante para ouvi-lo, recebendo apenas um olhar cansado e duro em resposta. Aquela não era a garota que Hans conhecerá a meses atrás. Ela o olhava com desprezo, raiva, não tinha mais nenhum traço de carinho ou gentileza ali e aquilo o atingiu com tanta força que se perguntou se alguma vez teve, ou como havia dito naquele fatídico dia em um dos quartos do castelo, ela apenas estava desesperada por amor e por alguém que fosse estar ao seu lado.
Não seja bobo! E de que te importa a maneira como ela te vê? Precisa apenas que a criança nos braços dela seja mesmo sua, então Arendelle em alguns anos estará ao seu comando Pensou ignorando toda aquela sensação, fez sua escolha muito antes de saber que tinha uma e nada ficaria no seu caminho para o poder.
– Pelo menos tive a decência de te chamar aqui, nem isso você merecia! – Anna soou rude e então ela abaixou o olhar para o embrulho, voltando em seguida para o jovem príncipe, a pose dura sumiu, deixando no lugar apenas a figura de alguém que parecia perdida, sem muita ideia do que fazer.
– Me conte Anna, qual o motivo para me chamar? – Ele sabia muito bem o motivo, mas precisava manter o joguinho. E era bom nisso, enganou um reino todo, podia manter o papel apenas mais uma vez.
A mulher se aproximou e então estendeu o bebê no embrulho esperando que ele a pega-se, o que não fez de primeira, mas fez, sendo observado pela mulher como se a qualquer momento fosse deixar a criança cair. Quis rir da expressão dela, Hans não era ruim com crianças, com a quantidade de irmãos que tinha, havia ficado de babá dos sobrinhos mais de uma vez.
– Leve-a com você, tudo o que precisa saber sobre ela está neste envelope - Falou após um estranho silêncio e então entregou o papel para ele, ainda não o encarando no olho. - Leve-a com você e então eu voltarei para o castelo - tinha algo no fundo da voz de Anna que o fazia querer abraçá-la, mas resistiu a essa vontade. A história deles acabou no momento em que ele desistiu dela pela coroa. Se bem que Hans já nem sabia se algum dia a história havia começado. Não se pode ter tudo, uma vozinha gritou no fundo de sua cabeça, mas nesse caso não havia lhe restado nada, só uma promessa de que no futuro tudo pelo qual havia desistido finalmente valeria a pena.
– Levá-la comigo? Não tem razão para que eu faça isso, a menos que você não esteja me contando algo. – Queria ouvir da boca dela quem era aquela criança, mesmo sabendo e mesmo estando tudo óbvio, queria ver ela falando.
– Ela é sua filha também e apenas um de nós pode criá-la. – Anna falou como se fosse a coisa mais simples do mundo. Isso era alguma piada? Hans pensou. Como só um deles? Anna não podia estar falando sério e isso o fez ferver, a garota que sempre reclamou da solidão longe da irmã realmente estava abandonando a filha? No fim ele não era o único hipócrita ali.
– Eles sabem sobre… – não precisou completar a frase, ela havia entendido o que ele quis perguntar.
– Ninguém sabe, acham que estou em Corona visitando Rapunzel.
– Isso quer dizer que você não a pensa em ver novamente? - Se ela não contou para ninguém da gravidez, e não contou para ninguém o que de fato aconteceu entre os dois, então ela pretendia guardar segredo, ainda que isso custasse estar perto da filha e presente em sua vida.
– Você fez sua escolha, agora eu estou fazendo a minha - a bebê resmungou em seus braços e Hans instintivamente a balançou com delicadeza, ninando seu sono enquanto ainda mantinha o olhar em Anna que parecia completamente desnorteada, presa entre a certeza e a incerteza de suas ações.
Mas ele não disse nada, mesmo achando as ações dela péssimas, tudo bem que não pensou em como os dois reinos lidariam com essa criança e sabia como a monarquia era com filhos fora de um casamento. Mas agora ele tinha seu cavalo de tróia para dentro de Arendelle e a princesinha não importava mais, criaria aquela criança como a princesa que ela era e então quando chegasse à maioridade, os dois tomariam o que era deles de direito, não importa o que custasse.
ROOTING
root
verb
UK /ruːt/ US /ruːt/
(the part of a plant) that grows down into the earth to get water and food and holds the plant firm in the ground, or (of a person) is to create bonds:
O castelo das Ilhas do Sul era sempre escuro pela manhã, isso era algo que a pequena princesa não gostava. Desde pequena tinha medo de como o castelo parecia ter saído de uma grande história de monstros. Mas não podia aguentar a ansiedade, precisava contar sobre o sonho antes que esquecesse, havia sido um sonho tão bonito e Hanna achava que o pai merecia saber, por isso foi correndo às pressas para seu escritório.
- Papai, papai! - Chamou animada e ele sorriu puxando a pequena para seu colo, a girando no ar antes de a colocar de volta, Hans nunca pensou que se apegaria tanto aquela pequena criatura, mas havia se apagado e com isso jogado fora toda e qualquer motivação negativa, a pequena criatura sorridente não merecia ser tratada como um peão de xadrez.
- Aí está meu peixinho, você acordou cedo hoje! - Fala olhando confuso para janela, não fazia muito tempo que o sol havia nascido e a pequena princesa costumava ser mais dorminhoca do que isso. Esse era um fato que Hans acreditava que Hanna havia puxado de Anna, o príncipe sempre havia tido um sono muito regulado, acordava cedo e gostava disso, coisa que nunca reparou na filha. Hanna era elétrica, vibrante, viva, da mesma forma que percebeu que a Princesa de Arendelle era quando haviam se conhecido, e bem, sua pequena princesinha precisava recuperar as energias de alguma forma e acabava fazendo isso no sono.
- É que eu tive um sonho tão bonito que decidi acordar junto do céu. - Fala se sentando no tapete do escritório e puxando a mão do pai para que ele se sentasse junto.
- E a senhorita vai me contar? Ou decidiu deixar o papai curioso? - O tom sério com uma pitada de brincadeira a faz rir em meio a um pequeno bocejo, estava realmente muito cedo e não tinha ido se deitar na hora certa, mas poderia vencer o cansaço apenas para não se esquecer da história.
- Foi com uma moça, ela era tão bonita, tinha o cabelo ruivo, assim como o meu e o como o seu, papai. Será que minha mamãe é bonita assim? Acho que sim, porque a moça do sonho parecia minha mamãe, ou como imagino ela. - o sorriso de Hans diminui um pouco quando ela diz isso, mas Hanna está tão entretida brincando com as tranças bagunçadas enquanto contava, que nem percebe a movimentação do pai. - Ela tinha um vestido azul e rosa me contava uma história, dizendo que eu era a princesa dela, então beijava a minha testa e o senhor entrava no quarto indo até ela, então os dois cantavam uma música para que eu dormisse, mas eu acordei e percebi que não era real.
A tristeza na voz da pequena garotinha de 6 anos era perceptível e ela abaixou o olhar parecendo menos animada.
- Mas foi um sonho bonito, o senhor e a senhora moça bonita eram meus papais, eu tinha uma família completa. - Hans sente seu coração arder quando a menina diz isso, então só abraça a filha. Se Anna tivesse ficado com ela, o cara das renas provavelmente estaria a criando como sua e a menina teria essa família completa que tanto pedia. Mas não tinha sido assim e o príncipe às vezes pensava que talvez não estivesse sendo o suficiente para filha.
- Nós já somos uma família e sua mãe, mesmo longe, te ama tanto! - Os dois queriam acreditar nisso, então não disseram mais nada. - E Hanna, você também tem seus avós, seus tios e tias, e seus primos, e todos te amam.
- Pode me contar de novo? - A pequena pediu trocando de assunto, se sentia deslocada às vezes, apesar de ser pequena demais para entender o sentimento, única pessoa que ela sentia que a amava de verdade era o pai. Ele era a sua família.
- Contar o que, pequena? - Sorriu já sabendo o que ela iria perguntar.
- Como o senhor conheceu a mamãe! - Ela disse como se fosse a coisa mais obvia do mundo e ele apenas riu se levantando e a pegando no colo. Contaria a história, mas aproveitaria para colocá-la para dormir, ainda era muito cedo.
- Eu estava chegando para a coroação em um reino um pouco longe desse, então uma princesa bonita esbarrou em meu cavalo e eu a derrubei em um dos barcos do porto - começou assim que cobriu a menina, já no quarto dela, ela então o olhou com os grandes olhos azuis sorrindo animada, abraçando o patinho de pelúcia, o sr. sorvete, com delicadeza. - Eu fui me desculpar e ela sorriu, foi um dos sorrisos mais bonitos que já vi e então fui ajudá-la a se levantar, mas nós caímos no barco e ela se enrolou com as palavras, depois saiu pois precisava ir para a coroação e esperei até o baile para vê-la de novo.
Hanna bateu palmas, adorava a parte do baile e a música que ele cantarolava para ela.
- Cantamos sobre sanduíches e amor…
- Eu amo sanduíches! - A menina interrompeu animada, recebendo um pequeno ataque de cosquinhas de volta.
- Eu sei, você puxou isso dela! No baile, sua mãe olhou pra mim como ninguém nunca tinha olhado e eu tive a certeza de que era a garota certa. - Ele suspirou e a menina segurou sua mão o olhando confusa.
- Papai, o senhor sempre me diz que gostava muito dela, mas nunca me conta o que aconteceu para não terem ficado juntos… - A garotinha pergunta com a voz baixa, já sentindo o sono vir e o pai em resposta passa a mão por seu cabelo com cuidado e carinho.
- Quando somos adultos, acabamos fazendo grandes besteiras e não priorizamos as coisas certas.
- O que é pridorizar?
- É priorizar, querida. - Ele ri e ela também, concordam com a cabeça. - É escolher uma coisa no lugar da outra e eu acabei escolhendo a coisa errada. Tinham muitas coisas em jogo naquele verão e eu não segui meu coração. - Ela o olha de boca aberta, deixando toda indignidade infantil transparecer em seu rosto. Hans segura o riso pensando o quão sincero era tudo que havia dito, ele sempre pensava sobre a situação e nunca chegava a uma conclusão se estava mentindo para filha, ou se permitindo ser sincero sobre todos os sentimentos que aquela noite em Arendelle despertou nele.
- Mas o senhor sempre me diz para seguir o coração! - Ele ri quando a vê cruzando os braços, Hanna era muito parecida com a mãe e se pudesse apostar, diria que a filha era uma cópia exata de Anna quando criança.
- Sim, e espero que siga, não quero que cometa os mesmos erros que eu. Escolhi o poder e isso me tornou um moço mau e fez eu perder sua mãe. Eu quis a coroa e não o amor.
Hans se aproximou da filha beijando sua testa, ainda era delicado tocar nesse assunto.
- Mas o senhor me ama e moços maus não amam outras pessoas - Hans se permite sorrir com a fala inocente da filha. Bem e Mal eram mais complexos do que histórias de contos de fadas diziam.
- Isso mesmo, eu te amo, muito e o resto… - ele parou esperando ela completar.
- É confete, papai! O resto é confete!
WITHER
wither
verb
UK /ˈwɪð.ər/ US /ˈwɪð.ɚ/
(of a plant) become dry and shriveled; cease to flourish; fall into decay or decline, or (of a person) losing her usual vividness, die slowly
O aperto no peito quase fez Hanna desistir dos ensaios, mas não queria preocupar o pai, além disso, o ginásio era perto do apartamento que estava vendo, depois poderia passar para dar mais uma olhada e então conversar novamente com ele sobre a ideia dela sair do castelo.
Ginástica era uma das únicas coisas que Hanna amava, junto com música e plantas. Ela descobriu a paixão aos 12 anos, quando a nova professora de etiqueta falou como seria bom concentrar a energia em um esporte, então o pai contratou professores e a cada ano que passava ela se dedicava ainda mais aquilo, até conseguir a autorização para treinar junto de outras pessoas e então participar de competições. E apesar dos avós e tios incentivarem apenas sua paixão por violoncelo, alegando ser algo mais de acordo com as normas reais, o pai esteve em cada uma de suas apresentações, em cada competição e a acompanhou em todos os primeiros ensaios, não deixando nunca que o peso da coroa fosse demais e a menina não pudesse apenas ser quem queria. Hans havia ensinado Hanna a acreditar em seus sonhos e ela era extremamente grata por isso.
Ele sempre dizia "não esqueça de onde veio, mas também não deixe isso te impedir de chegar onde quer." E ela não deixou.
— Sua vez, Hanna — o treinador chamou a tirando de seus pensamentos e então ela se aproximou do potinho com Pó de Magnésio, passando nas mãos e nos pés antes de se preparar para o salto sobre o cavalo, então foi.
Ela correu pronta para saltar, pegou o impulso, mas no momento em que encostou no cavalo, sentiu as costas batendo com força no tatame e então não sentiu apenas mais nada, apenas o escuro a consumindo.
— Hanna Westergaard? — O médico perguntou entrando no quarto assim que reparou que a menina já estava desperta.
— Sim?! — A ruiva respondeu prontamente, ainda um pouco desnorteada. Não sabia o que estava fazendo ali, se lembrava de estar no ginásio, do aperto voltar e então não tinha mais memórias em que confiasse, pensava ter caído, mas tinha o tatame embaixo de si então não fazia sentido estar ali, ou fazia?
— Não conseguimos contatar seu pai, o Príncipe Hans, mas como a senhorita já é de maior e foi trazida até aqui sobre a vistoria de seu treinador, achamos melhor esperar que acordasse para explicar a situação e então seguirmos com qual procedimento e tratamento achar melhor. — O Doutor Dante exclamou de maneira rápida, mas gentil. Entendia como deveria estar sendo difícil para a garota.
— Tratamento? Desculpe, mas o que exatamente estou fazendo aqui? Me lembro apenas de estar treinando e então acordei nesse hospital. — Ela começou a se desesperar, e como não conseguiram contatar seu pai? Ele sempre atendia quando era algo relacionado a ela.
— Fique calma, Alteza. Eu e minha equipe realizamos alguns exames quando a senhorita chegou, procedimento padrão, apenas precisávamos identificar o motivo da queda. Mas para nossa surpresa, o que encontramos nos exames não são coisas muito boas. A primeiro momento imaginei que poder ser algo relacionado a alimentação, muitas atletas que chegam aqui sem lesão aparente acabam tendo algo ligado a isso, mas como não encontramos nada, pensei que pudesse ser algo cardíaco e estava correto. A senhorita, Alteza, tem o que popularmente chamamos de coração dilatado — ele suspirou tomando fôlego para continuar. — É uma doença cardíaca que
normalmente é consequência de algumas outras doenças, os exames não mostraram nenhuma anomalia direta, então nossa teoria é que seja causada por problemas na estrutura das células do coração. Já realizamos todos os exames padrões após a identificarmos e bem, a cardiomegalia tem tratamento e até cura, mas no nível em que a sua se encontra temo que a cura já não seja mais possível, graus mais avançados, assim como o seu, acabam sempre precisando de um transplante de coração ao passo que a doença se agrava mais.Eu sinto muito.
— Eu tenho um problema no coração? Como... — a voz da garota some, ela realmente estava sentindo dores bem fortes no peito, mas não pensou que poderia ser isso, com tanta coisa ela associou isso e os desmaios a não ter uma alimentação fixa e regular, principalmente por odiar se sentar na mesma mesa que os tios. Mas não entendia como podia ter uma doença cardíaca, não estava no histórico de sua família ter problemas assim e principalmente, era uma garota nova e que praticava exercícios, não deveria estar fora do grupo de risco de doenças como essa?
— Sim! Mas precisamos torcer para o tratamento ser eficiente, transplantes nem sempre são bem sucedidos e há uma lista para que ganhe um coração, e essa lista de espera é longa e não há prioridades.
— Se é algo grave assim, então eu posso morrer? —o desespero aumentou, ela não podia morrer, não tão nova. E ela era a única pessoa que o pai tinha, os tios eram insuportáveis e os avós tinham preferências claras entre os filhos e o pai não entrava nisso, ela não podia deixá-lo sozinho.
— O risco existe, mas com os cuidados certos ele diminui e pode até sumir. Precisamos apenas que a senhorita fique de repouso, tenha uma alimentação saudável e por hora evite exercícios e atividades que elevem seu nível de estresse e a qualquer sinal de palpitação e dor mais forte venha correndo para hospital. Precisa se cuidar Alteza, apenas assim o risco irá mesmo sumir, vou tentar, caso seu grau piore, colocar um marcapasso em seu coração, ele monitora o coração continuamente e identifica batimentos irregulares, lentos ou interrompidos, enviando um estímulo elétrico ao coração e regularizando os batimentos, como um pequeno desfibrilador.
Ela concordou em silêncio, se sentindo afundar um pouco mais. Estava doente, seu coração estava doente e ela morrendo de pouquinho em pouquinho por causa de algo que nunca pensou estar ali.
Prune
prune
verb
UK /pruːn/ US /pruːn/
(of a plant) is to cut off unwanted branches from a tree, bush, or other plant, or (of a person) is to forbid; not to allow to grow
A loira encarou o grande espelho, seu cabelo parecia mais claro... quase branco. Quando descoloriu os fios, buscou um tom de loiro que ainda ficasse meio avermelhado, não se sentia pronta para deixar o ruivo de uma só vez, claro que ela reparou como aos poucos o tom avermelhado sumia aos poucos, mas não estava tão claro quanto agora, ou ela só não havia reparado. De todo modo, Hanna preferia acreditar que era apenas um truque da luz do que adicionar isso a lista de coisas que estavam erradas.
— Alteza — Claire, uma das criadas da Ala Leste, disse ao entrar em seu quarto no castelo. — Vossa Majestade, sua avó, está lhe esperando junto de seus tios na sala de jantar. Vossa Senhora pediu para recordar que não é de bom tom uma princesa chegar atrasada, ainda mais em seu jantar de aniversário. — Advertiu, mantendo o tom educado que as criadas do castelo costumavam utilizar.
— Obrigada, Claire, já irei descer. Pode me ajudar a colocar o vestido? — Perguntou apontando para a peça na cama. A princesa ainda estava apenas com suas roupas íntimas e por cima com o espartilho que sua avó lhe obrigava a usar.
A Rainha Catherine era uma mulher rigorosa com códigos de vestimenta. Hanna sempre fora ensinada sobre como se manter devidamente apresentada para cada ocasião, inclusive que espartilhos seriam sempre seu melhor amigo e ela nunca poderia se negar ao usar, mesmo os odiando, mesmo que aquela maldita peça infernal não a deixasse respirar, mesmo achando que era uma peça desconfortável. De acordo com as palavras da rainha, sem dor, beleza não era beleza. Então faria aquele esforço, era apenas uma noite, uma noite enfrentando todas as malditas leis e códigos que lhe foram impostos, mas então no dia seguinte estaria livre, ao menos até o momento de sair do quarto, então precisaria colocar um dos vestidos e espartilhos mais simples do dia a dia. Um ciclo sem fim para manter a imagem de princesinha perfeita que sua família esperava que tivesse.
— Claro, Alteza! E se me permite o comentário, esse é um vestido muito bonito, será a moça mais bonita da noite. Assim como uma aniversariante deve ser. — Claire disse de maneira educada, pegando o vestido e abrindo o zíper com cuidado.
A peça era delicada, em um tom de verde não muito forte, mas também não muito claro, com detalhes em dourado. Não podia negar que era um vestido muito bonito, mas não queria usá-lo, ao menos não para aquela ocasião. Odiava os jantares reais com sua família, odiava a maneira que os tios a olhavam atravessado como se dissessem que a garota não merecia estar ali, odiava também as piadas dos primos sobre sua ilegitimidade perante a coroa, odiava principalmente não ter o pai ali. Já fazia quase um mês e meio que Hans havia sido enviado para uma viagem diplomática no reino de Freezenburg e umas duas semanas que a garota não recebia notícias. Já havia perdido a esperança de que ele chegasse a tempo de seu aniversário, por isso não foi tão decepcionante chegar no castelo a alguns dias e não achá-lo em lugar algum, por isso não era tão decepcionante passar o dia andando pelos corredores esperando que isso o fizesse chegar mais rápido, mas não tendo sucesso. Ainda assim, torcia para que o príncipe chegasse a tempo do baile, nunca havia passado um aniversário longe dele, ou uma festa de aniversário sem que ele estivesse tudo.
— É realmente lindo, estava em duvida entre esse e o vermelho, mas achei que verde cabia bem a ocasião, além de ser minha cor favorita, fica bem em mim. — Sorriu na direção da mulher, se apoiando em seu ombro enquanto passava a peça por suas pernas.
— Verde de gato combina com a sen... Alteza, está bem? — Claire parou sua frase no meio, olhando preocupada para a garota enquanto terminava de vestir o vestido e então segurou as mãos de Hanna. — Senhorita suas mãos estão muito frias, assim como o resto de sua pele. Venha e sente-se em sua cama, irei chamar um médico. — Falou guiando a garota com cuidado, que apenas negou com a cabeça.
— Não é necessário, agradeço a preocupação Claire, mas deve ser por ter me banhado na água fria, não tem com que se preocupar. — Hanna buscou se mostrar tranquila, a última coisa que queria era um médico informando a sua família a sua real situação.
— Tem certeza, Alteza? Não creio que seja comum a pele humana estar em tal temperatura, ainda que o banho da senhorita tenha sido em água gelada. Não prefere que busque um termômetro? — Questionou e então tocou o rosto da princesa, se afastando um pouco nervosa. — Por céus senhorita Hanna, está quase gelada como um cadáver.
— Tenho sim, Claire. Além disso nós duas sabemos como a Rainha Catherine pode ser quando estragam seus planos. — Rio fraco esperando que a mulher mais velha risse, mas tudo o que recebeu foi o silêncio e um olhar preocupado.
Claire terminou de ajudar a princesa a se vestir, então pegou a escova na penteadeira de marfim.
— Irei respeitar as suas escolher, ainda é minha princesa e devo respeitar suas ordens, mas se me permite uma opinião, não creio que isso seja normal e acho que sua avó não gostaria que descesse doente. — Falou seria, então suspirou se aproximando de Hanna com a escova em mãos. — Deseja que faça algum penteado? Talvez tranças, lembro que quando pequena Vossa Alteza vivia usando tranças, dizia que era para se parecer mais com vossa mãe. O Príncipe Hans comentava sempre com orgulho em como desejava ser como a mulher das histórias que ele lhe contava, mesmo que vossa avó ficasse louca com esses comentários. Deus que me perdoe, mas Vossa Majestade foge das histórias e comentários sobre sua mãe da mesma maneira que o diabo foge da cruz. — Hanna sorriu nostálgica, rindo em seguida. Era verdade, Rainha Catherine odiava a mãe de Hanna, e a garota já havia pego a mulher proferindo algumas ofensas em direção a sua progenitora. Afastando esses pensamentos, Hanna se vira, permitindo que a mulher trançar seu cabelo, assim como fazia quando era pequena.
— Obrigada por isso, Claire, sabe como adoro suas tranças. — Agradeceu se olhando no espelho após a mulher finalizar o penteado, prendendo as tranças para que não ficassem caídas, mas sim presas como tiras em sua cabeça, sendo enfeitadas pela delicada coroa que usava. Olhando para si mesma daquela forma, naquele belo vestido de baile, com uma maquiagem bonita e uma coroa na cabeça, ela de fato se sentia como uma princesa, se sentia digna do título e sobrenome que carregava, sem o peso de ser a filha bastarda em seus ombros.
Saiu do quarto sem pressa para descer, era um caminho curto para se percorrer até o grande salão de jantar, mas o máximo que pudesse adiar iria. Era melhor receber uma bronca por chegar atrasada do que precisar aguentar mais a falsidade real que rondaria aquele jantar.
— Lhe encontrei! Vossa Majestade, sua avó, está em frenesi atrás da senhorita. — Anselma, a dama de companhia de sua avó - uma senhora que não aparentava ter a idade que tinha e com uma surpreendente energia e afinco para as fofocas da corte - disse, puxando Hanna em direção ao salão. Pelo visto seus planos seriam interrompidos e o inferno começaria mais cedo naquela noite.
— Oh, peço perdão Lady Anselma — começou de forma cordial. — Mas a Senhora sabe o que dizem, nunca é de bom modo apressar uma dama que apenas deseja se encontrar bem apresentável. Além disso, hoje é meu aniversário, creio ter direito a me atrasar um pouco mais — forçou um sorriso gentil, era uma desculpa péssima, sabia disso e teve mais certeza após o olhar que recebeu da senhora ao seu lado, mas mesmo assim a mulher mais velha se manteve em silêncio até chegarem na entrada do salão.
— Hanna Marie Hansen Westergaard — A vó exclamou utilizando o nome completo da garota. A loira odiava ser chamada assim, sempre ignorava os nomes do meio, se apresentando apenas como Hanna Westergaard e ser chamada assim na frente de tantas pessoas, ainda que grande maioria fosse de sua família,sempre deixava a garota envergonhada. Principalmente por Hansen ter sido escolhido como uma representação de sua “bastardia”. Hansen significa filha de Hans e era isso que ela era, filha de seu pai, mas apenas dele, sem o sobrenome, nome ou ligação da mãe que ao menos representasse um pouco mais de pureza em seu sangue. — Está atrasada! Querida, pensei ter lhe educado melhor. —O tom de voz dela se tornou mais ameno, mas ainda era uma voz severa, mostrando como desaprovava as atitudes da menina.
— Peço perdão, vovó — Hanna abaixou a cabeça e então fez uma pequena reverencia se dirigindo a rainha.
— Não se preocupe, agora venha aqui — chamou a garota enquanto deixava a taça de vinho em uma das pequenas mesas altas espalhadas pelo salão, a rainha era uma grande fã de vinhos e todos sabiam disso. — Quero lhe apresentar a um filho de um velho amigo. Creio que já deva conhecê-lo, costumavam brincar juntos quando mais novos.
A mesa de jantar ainda se encontrava vazia, os talheres e ornamentos da mesa já estavam lá, mas enquanto organizavam todos os pratos que seriam servidos pela noite, os convidados preferiam ficar andando pelo salão dividindo seu tempo entre bebidas e conversas.
— Hanna esse é Mason Johnson Storstrand, Duque de Weselton. Creio querida, que se recorde melhor de seu pai, ele carrega o mesmo título que o garoto e se viram mais recentemente, creio que Mason não nos agracie com sua presença a muito tempo — a avó falou, segurando a mão da loira que sorria simpática para o rapaz, que aparentava ser poucos anos mais velho que ela.
— Encantado em revê-la! — Mason falou segurando a mão da menina e deixando um demorado beijo por cima da fina luva que usava. — Antes que me esqueça, meus parabéns, Princesa Hanna. Está completando dezenove anos, estou certo?
— Sim. Está sim, Senhor Mason. — Exclamou cordial e então se virou para a rainha, esperando ela continuar a falar, não entendia o motivo de ser apresentada aquele rapaz daquela forma.
— Vou deixá-los conversando, aproveitem a noite meus jovens! —Foi a última coisa que a Rainha, para o desprazer de Hanna, disse ao se afastar. Mas a garota buscou não demonstrar em suas feições o descontamento em ficar sozinha com o garoto e como era de desejo da avó, apenas seguiu a conversa.
— Vossa avó comentou muito da senhorita, vejo que não tem mais os cabelos ruivos de quando era pequena — Mason disse, buscando puxar assunto, era um rapaz educado, e muito, muito bonito. Tinha olhos azuis claros, parecidos com o de Hanna até e a garota gostava de observá-los, era legal ver a mudança da pupila conforme a luz do salão aumentava ou diminuía.
— Decidi dar uma pequena mudada, mas não nego que sinto falta do ruivo, não posso negar que é uma marca dos Westergaards — Diz sem tirar o sorriso dos lábios, se precisava manter a conversa com ele, buscaria ser o mais simpática e cordial, não queria acabar estragando a noite, ou atrair para si a ira de sua avó.
Para a surpresa de Hanna a conversa se desenrolou bem e Mason era, de fato, uma boa companhia. Apesar de manter a pose de Duque a um extremo e ser perfeitinho demais em relação a fala e gestos, ainda era alguém com quem a garota gostava de conversar. O rapaz de 24 anos havia a recordado de alguns momentos de quando eram mais novos, como a vez em que os dois jogaram tinta por todo salão de baile enquanto os adultos se encontravam em uma das reuniões que vez ou outra aconteciam na corte.
Eram memórias engraçadas, não iria negar. E isso quase a fez esquecer por completo que algo estava acontecendo, mas conforme o jantar seguia, a garota começava a entender que a presença de Mason não era um mero acaso e que a Rainha Catherine planejava algo com isso.
— Infelizmente meu filho Hans não pode comparecer — a rainha começa após se levantar, batendo duas vezes com a colher na taça para chamar a atenção de todos os convidados. — Por isso eu quem irei realizar o brinde de aniversário da minha pequena e adorável Hanna.
Não havia muita verdade na voz da avó, mas também não havia nenhuma no sorriso da garota. Tudo ali era montado e planejado para soar como a família perfeita, em seu jantar perfeito, dentro do castelo perfeito.
— Quando Hans me apresentou a ela, pequena e frágil enrolada em um xale velho, meu coração se esquentou na hora. Minha doce netinha se fez parte de meu coração desde o primeiro instante que a vi — quis revirar os olhos com as palavras da avó, mas não o fez e desejou que a mulher estivesse sendo totalmente sincera, gostaria mesmo que a avó se sentisse assim em relação a ela. — Diferente do pai que sempre foi mais introvertido, Hanna era uma criança alegre sempre brincando e correndo pelos corredores do castelo e veja só, hoje se tornou essa bela moça comemorando seus 19 anos.
Ela ergueu a taça e os convidados fizeram o mesmo, esperando o resto do discurso. Para sua surpresa, Mason segurou sua mão disponível, sorrindo para garota quando ela se virou para olhar.
— E além de seu aniversário, comemoramos também o fortalecimento entre Weselton, que mandou seu Duque, Mason, de representante essa noite, e As Ilhas do Sul. — Hanna suspirou, sabia que a avó nunca deixaria aquela noite ser totalmente sobre ela.
— Fortalecimento esse que se deve ao noivado desses belos jovens. Um brinde ao aniversário de minha neta, Hanna Marie Hanson Westergaard e a seu noivado com o Duque Mason Johnson Storstrand de Weselton. Saúde!
— Sabia disso? — Hanna pergunta alto para Mason, que estava sentado em silêncio em uma das cadeiras da sala de reunião de seus avós.
O jantar já havia acabado a algum tempo, seus tios e primos que residiam no castelo já estavam em seus aposentos e os outros nobres já haviam ido embora, deixando apenas a Rainha Catherine, Mason, que iria passar uns dias na corte para firmar o noivado com Hanna e o Rei George que seguiram para a sala de reuniões, era o melhor ambiente para se seguir a conversa e evitar que a farsa sobre o noivado se espalhasse pelo reino. Precisavam criar uma história, uma farsa boa o suficiente que justificasse Hanna e Mason não serem vistos juntos a anos e principalmente, arranjar um jeito da princesa seguir com isso sem protestos.
— Hanna Marie, abaixe esse tom! — O avô pediu com a voz firme, era a primeira vez que ele se pronunciava perante aquele assunto.
— Não! Não vou, eu não concordei com essa merda de casamento e não me mandem ter cuidado com as palavras, vocês nem se perguntaram se eu queria noivar! — Ela sabia que uma hora chegaria o momento em que seria impossível fugir para sempre, principalmente nunca tendo se firmado em um relacionamento, mas esperou e acreditou que fossem conversar com ela e não apenas jogá-la naquela situação.
— Não seja dramática, isso beneficia os dois lados, além de estabelecer ligações firmes entre os dois reinos e limpar sua linhagem — Catherine é dura em suas palavras, mas se importava, ao menos um pouco, com a neta, por isso havia escolhido Mason e não um total estranho.
— Olhe o que está falando! Eu não vou ser tratada como uma negócio, a senhora vai mesmo vender sua neta? E sobre a linhagem, nunca pedi para ser colocada nela, se não cansam de me chamar de bastarda, porque não me deixam viver como uma e bem longe daqui? — A loira já tinha a voz falha, Mason a observava e queria se aproximar, aquilo não era legal para ele também, ninguém gostava se ser obrigado a se casar, mas o que ele poderia fazer? As ordens do pai eram mais importantes e sempre soube do seu dever, além disso, a princesa não deveria ser alguém tão ruim de conviver, mais calma, como quando conversaram no jantar, era uma presença agradável.
— Até seu pai concordou — a rainha começou mentindo. — Não pode fugir das suas obrigações, é um casamento e não uma prisão — para mim é como se fosse Hanna quis dizer, mas se calou ouvindo a avó. Se o pai tinha concordado então era o melhor, mas por que ele não havia dito nada para ela?
— Eu nem o conheço! Como você espera que eu me case com alguém que eu acabei de conhecer? Isso é loucura — tentou rebater, precisava achar algo que a tirasse daquela porcaria de situação em que se encontrava.
— Claro que o conhece, vocês já brincaram juntos quando eram mais novos e além disso, o casamento não irá acontecer amanhã, durante o noivado podem se conhecer, Mason irá permanecer aqui na corte por tempo indefinido, por isso que eu…
— Por isso que a senhora mandou eu me mudar para cá — completou interrompendo ela. Não queria acreditar que a mulher podia ser tão fria e tão cínica a ponto de ter planejado tudo aquilo sem nem mesmo um aviso ou uma conversa prévia.
— Senhorita Hanna, perdão interromper — o garoto começou, se levanta de onde estava e indo até a loira. — Pode não saber muito sobre mim e nem eu sobre a senhorita, mas podemos fazer funcionar.
Quis rir da cara dele, fazer funcionar? O garoto só podia ter pirado, aquilo não era um maldito conto de fadas, era sua vida sendo jogada em um buraco.
planting
plant
verb
UK /plɑːnt/ US /plænt/
to put a plant into the ground or into a container of soil so that it will grow; put an idea, or feeling, so that it grows
Hanna andava em círculos pelo quarto, esperando que isso pudesse aliviar o crescente medo em sua barriga. O acontecimento de horas antes não saía de sua mente, parecia como um emocionante e tenebroso delírio - uma possibilidade que não poderia descartar devido às poucas horas de sono e excesso de café em seu organismo.
Vestido pronto, maquiagem adiantada, penteado em andamento. Ela estava a caminho da perfeição esperada para o baile, mas mesmo assim se sentia assombrada, não podia esquecer a forma como a ponta de deus dedos pareceram estranhamente brancas e as pontas quase como gelo, ela parecia congelar e então não parecia mais. Em uma melhor hipótese, estava enlouquecendo devido a tanta pressão, na pior delas, estava realmente congelando. Se é que aquilo era possível.
Três batidas são ouvidas na porta e então a garota suspira, era hora de deixar aquelas bobagem de lado e focar no que importava - ou o que parecia mais importante naquele momento se fosse visto pela perspectiva de sua família - o baile real.
— Entre.
Exclamou com a voz firme, ensaiando para o espelho o seu melhor sorriso e então viu sua avó entrar, observando com desaprovação o espartilho frouxo em seu corpo e o vestido posto na cama.
— Vovó! — Fez, como de costume, uma reverência para a senhora e se aproximou de onde ela estava. Era difícil imaginar o que a velha rainha diria, mas precisava supor que não seria nada ruim e principalmente, que ela não havia descoberto os acontecimentos de dois dias atrás, que fizeram ela e Mason se afastarem.
— Você precisa dar o seu melhor essa noite — ela disse ignorando o comprimento da menina, observando, ainda em desaprovação, tudo a sua volta. Hanna não sabia mais dizer se esse era o olhar normal dela, ou se a avó só era uma mulher muito difícil de ser agradada.
— Eu irei, prometo — sorriu tensa, sabia que o melhor, de acordo com a avó, era um conceito difícil de ser encontrado.
— Então comece apertando esse espartilho, não se esqueça Hanna, uma princesa precisa estar sempre impecável — sua voz era dura, mas sabia que era o jeito da mulher de incentivá-la a sempre alcançar a perfeição.
A princesa concordou em silêncio, sentindo a mulher puxar com força as cordas do espartilho, a fazendo perder o ar por alguns segundos. Aqui doía, incomodava, mas claro que não disse nada. Então, com a ajuda dela, colocou o vestido, soltando o cabelo loiro em seguida. Os leves cachos caiam por seu ombro e Hanna se sentia verdadeiramente bonita enquanto via sua figura.
— Não sei se gosto desse vestido, parece simplório para uma princesa — as palavras de Catherine pareceram machucar mais que o aperto do espartilho, ainda assim só respirou fundo, sorrindo e acenando enquanto a porta era aberta e ela saía do quarto.
Hanna girou em frente ao espelho, passando a mão pela saia do espelho, ele era bonito e ela se sentia incrivelmente bem, mas não havia sido o suficiente para avó, talvez nada fosse. Quando abaixou o olhar, observou a mão novamente se embranquecendo mais, formando padrões quase como os de flocos de neve, ela se sentiu gelar por inteiro e então viu as mechas caídas de seu cabelo começarem a parecer ainda mais claras, se é que isso era possível. Então se desequilibrou, sendo segurada por um par de mão que nem sabia estar ali.
— Filha? — A Westergaard não pode reconhecer a voz do pai, se sentia paralisada sem conseguir se mexer. — Hanna? — Ele chamou de novo, assustado em como aquela cena era familiar, ele se lembrou de Anna, 19 anos atrás, em seus braços.
Quando entrou de modo furtivo no quarto da filha, após a mãe sair, esperou fazer uma surpresa, não a via a muito tempo e a saudade era latente em seu peito, se sentia culpado por ter perdido o aniversário da menina, mas pensou que a surpresa a animaria, nunca imaginou ter um dejavu de uma cena que passou anos e anos o assombrando.
— Pai… — Hanna o apertou, conseguindo se mover, aos poucos o branco na ponta dos dedos sumia novamente, igual horas antes. Sorriu fraco querendo se desligar daquilo, querendo deixar de lado e evitar as perguntas, provavelmente entrariam em uma zona complicado e ela se veria obrigada a falar sobre a doença. — O Senhor chegou a tempo! — Se arrumou, conseguindo abraçá-lo, sabia que sentia a falta dele, mas não perceberá o quanto ela era grande até vê-lo a sua frente.
— Claro que sim, houveram alguns imprevistos, por isso não cheguei dia 20, mas agora estou aqui, peixinha — ela riu com o apelido, quebrando o abraço, então ele observou a filha com mais calma, ela estava a cara de Anna, se não fosse os olhos da mesma cor dos seus, ou o cabelo, agora loiro, ele não poderia negar que ela era a cópia perfeita da ex noiva - não que o noivado tivesse sido oficializado, mas parte dele se sentia bem em chamar a princesa de Arendelle desse modo.
— Algo errado? — questionou com medo do pai também achar que ela não estava arrumada o suficiente para o baile.
— Não, é só que você está a cara da sua mãe — ele encostou na bochecha da filha com carinho, Hanna era sem sombra de dúvidas seu maior acerto. — Você está linda, filha.
Hanna riu, o pai podia ser um homem sentimental quando queria e esse era um deles.
— Bom, ao menos assim tenho um jeito de vê-la — ele tocou o ombro da menina assim que ela parou de falar e os dois encararam sua figura no espelho. — Queria que me contasse mais dela, o nome dela, como ela era…
— Hanna…
— Eu sei que vovó não gosta desse assunto e que o senhor tem muitas coisas das quais não gosta de lembrar quando fala sobre ela, mas eu queria saber algo mais palpável do que a forma como se conheceram e suas descrições sobre o quão doce e sonhadora ela era. — Suspirou e o homem segurou a mão dela, olhando com atenção para a aliança nos dedos da filha.
— Você… — ele começou trocando o assunto.
— Não se faça de surpreso, a vovó me disse que o senhor concordou, que foi quem escolheu o Duque Mason entre a lista de pretendentes… — falou achando que ele estava querendo trocar de assunto.
— Não sabia, filha, sabe que nunca concordei com a ideia de que se casasse sem amor. E que Duque Mason? Nem mesmo estava a par da lista de pretendentes — seu tom era levemente irritado, Hans nunca havia se casado após Anna, não só por nunca ter encontrado uma pretendente que achasse a altura para se tornar madrasta de sua filha, mas pelas palavras de Anna nunca saírem de sua cabeça, ele queria um amor verdadeiro para si, e um para filha.
— Então…
— Então sua avó mentiu! Quando firmaram esse noivado?
Ela respondeu que no dia de seu aniversário, mas também disse sobre já ter assinado as papeladas oficializando, não tinha volta agora e mesmo que tivesse, primeiro Mason precisaria desistir do noivado, aí assim a avó concordaria em interrompê-lo. E mesmo assim era provável que ela só buscasse outra pessoa. A Rainha Catherine era uma mulher irredutível e se queria que a neta se casasse, ela conseguiria.
— Mas filha, como você está com isso? Você gosta dele a ponto de aceitar isso? —Era a primeira vez que perguntavam isso diretamente a ela, Hanna sorriu com isso. Sabia que Mason se preocupava com sua vontade e que os amigos também, mas essa tinha sido a primeira vez que alguém da família olhava para ela e perguntava se ela estava disposta a seguir com aquela sensação e Hanna não sabia mais sua resposta.
Se a perguntassem a uma semana, ela diria que não, mas então teve o beijo, o piquenique, e ela decidiu que talvez quisesse. Então teve o beijo com Deimos e ela voltou a não saber se queria, a cabeça de Hanna estava bagunçada, Dalila e Harley diriam para que ela seguisse seu coração e Hanna queria isso, mas não sabia como seguir se ele estava tão confuso quanto sua cabeça.
— Eu mal o conheço, mas eu acho que sim, eu sinto que posso gostar dele — suspirou e o pai tocou de volta sua bochecha, a fazendo fechar os olhos.
— Sua tia disse uma coisa para sua mãe quando a pedi em casamento, disse que ela não poderia casar com alguém que tinha acabado de acontecer, quando ela disse isso, eu fiquei bravo, ela estava estragando tudo, mas hoje, hoje filha, eu te dou o mesmo conselho que ela deu a sua mãe, não se case com alguém que não conhece — a filha riu fraco, então seus pais tinham chegou a noivar?
— Gosto quando comenta coisas assim, fatos que compunham a sua história com ela.
— Um dia eu te conto tudo, até lá, vou te dar uma coisa que era apenas para entregar no seu aniversário de 21 anos, mas com tudo isso, acho que é um bom momento. —Ele diz tirando um envelope do bolso e entregando a menina.
— O que é isso?
— Uma carta de sua mãe!
Bloom
bloom
verb [ I ]
US /bluːm/ UK /bluːm/
(of a plant or tree) to produce flowers, (of a flower) to open or be open, or (of a person) a state or time of health or greatest beauty, vigor, or freshness; prime
A madrugada do dia 3 foi composta por milhares de emoções, Hans nunca pensou em precisar lidar com o sentimento de estar perdendo a filha. A verdade é que ele ne quer imaginava uma situação que aquilo poderia acontecer, ao menos não até aquele dia.
Parte de seu trabalho como principe exigia que ele viajasse constantemente como representante dos pais para event








